Abelha Jataí

Abelha Jataí (Tetragonisca Angustula)

As abelhas jataís, também chamadas de abelhas indígenas, são nativas do Brasil. Pertencem à espécie dos meliponídeos, cientificamente conhecidas por Tetragonisca angustula.

A palavra “jataí” é de origem indígena e vem da língua tupi “yata’ i”. Melipona é palavra de origem grega, méli = mel, pónos = trabalho. As jataís são abelhas pequeninas, sem ferrão e muito cobiçadas pelos apicultores. Encontradas, com freqüência, nas altitudes acima de 500 metros. Produzem mel de excepcionais qualidades: fino, suave, levemente azedinho, que o difere dos outros méis.

Por suas propriedades medicinais, é indicado no tratamento de resfriado, bronquite, glaucoma e catarata, além de ser bactericida e atuar na cicatrização de feridas. Como todos os apídeos, as jataís possuem uma sociedade organizada dividida em: operárias, zangões e rainha.

Operárias: medem aproximadamente 5 mm de comprimento. Têm abdômen dourado, cabeça e tórax de um preto opaco. Não possuem ferrão, todavia têm mandíbulas que usam contra os insetos invasores de suas colônias. Voam em média até mil metros para coletarem néctar, pólen e resina. O número de operárias pode variar desde algumas centenas até 5.000 por colmeia. As operárias exercem várias funções como faxineiras, sentinelas e coletoras.

Zangões: são em número reduzido, em torno de quatro, e são procriados somente na época de soltar nova família. Assemelham-se às operárias, porém de porte maior e abdômen longo; sua função é de fecundar a rainha virgem, depois da fecundação desaparecem.

Rainha: mede 10 mm de comprimento, possui abdômen tão desproporcional que causa pena quando fecundada, o abdômen dobra de volume e ela perde a capacidade de voar. Na época do fluxo nectarífero, sua postura pode chegar a 50 óvulos por dia. A rainha virgem é arisca e voa somente para ser fecundada e formar a nova colônia.

As abelhas recém-nascidas são amarelo-pálidas, muito lentas e não voam. São encontradas durante todo o ano, em maior número na entrada da primavera. As sentinelas que ficam em redor do canudo de entrada podem variar desde algumas até mais de trinta. Nossas abelhas possuem extraordinária capacidade de se adaptarem para nidificar nos locais mais inimagináveis, desde que haja espaço suficiente.

No início da primavera, chegam a fazer até três realeiras (alvéolo maior na lateral dos favos de cria, onde se desenvolverá nova rainha) e soltam famílias, geralmente no início do verão, perpetuando assim a espécie. São extremamente asseadas, não pousando sobre quaisquer dejetos, como fazem as abelhas arapuá, que retiram material para construir seu ninho até de estrume de cachorro.

Raramente coletam água, pois tiram-na do próprio néctar, que é aquoso. A cera é produzida através de glândulas localizadas no dorso do abdômen. As jataís encontradas na natureza, ou em simples caixas, produzem pouco. Criadas racionalmente, podem atingir uma produção anual bem maior, portanto, conhecendo seus hábitos, comportamentos e preferências, pode-se atingir ótima produção.

O ninho possui uma única entrada e raramente aparece mais de uma. É um canudinho de cera com 5 mm de diâmetro e comprimento variável na parte externa que pode chegar a mais de 30 cm. Na parte interna tem aproximadamente 20 cm e, na maioria das vezes, termina com vários orifícios que se comunicam com a parte central do ninho. O canudo de entrada situa-se na posição inclinada; às vezes, quando o enxame fica por muitos anos num mesmo local, o canudo toma a forma de um gancho, porém sempre com o orifício de entrada voltado para cima. Ao redor da base do canudo, elas depositam uma resina viscosa e pegajosa, onde ficam detidas formigas e outros insetos intrusos. A mesma resina é usada também para a calafetagem do ninho.

À noite, nos dias de temperaturas baixas, ou muita umidade na atmosfera, costumam fechar a entrada do canudo com uma película de cera, repleta de furinhos por onde passa o ar que chega ao interior do ninho, através do bater de asas constante das abelhas que, assim fazendo, provocam a circulação do ar. O trabalho externo das abelhinhas somente acontece com temperaturas acima de 22 graus, umidade relativa do ar em torno de 25% e muita luminosidade.

Há dias, portanto, que a entrada dificilmente será aberta, principalmente no inverno ou dias chuvosos. Temperatura, umidade e luminosidade são três fatores primordiais na criação desta abelha. Fato interessante acontece no verão: quando uma chuva repentina se aproxima, elas voltam rapidamente e formam um fluxo na entrada do canudo, num verdadeiro e maravilhoso espetáculo. As jataís nos trazem satisfação. São carismáticas, atraem nossa atenção e nos fazem deleitar por alguns instantes, quem sabe, às vezes, em busca da razão da nossa existência.