Ecólogo luta pelo consumo do mel de abelhas nativas

Feito por abelhas nativas brasileiras sem ferrão (mandaçaia, jandaíra, uruçu, tiúba, mandaguari… são umas 250 espécies; cerca de 30 em produção), o mel não é regulamentado nacionalmente.

A lei diz que os níveis aceitáveis de umidade não devem ser tão altos (até 20%; e ele costuma ter entre 25% e 28% de água). Na prática, o que ocorre é que esses méis de abelhas nativas são menos estáveis, podem fermentar na garrafa, a caminho do consumidor.

Esse mel mais clarinho, mais líquido e mais ácido não necessariamente vai sobre o pão. Pode ser usado como uma calda, sobre as frutas —ou até na salada do almoço.

Mas a fermentação em si não é ruim —dá um sabor acético e, então, se estabiliza. Também não é um problema que o mel seja pasteurizado ou refrigerado, diz Jerônimo Villas-Bôas, ecólogo e mestre em gerenciamento ambiental. O importante é que o produto chegue às prateleiras e que a população do campo tenha essa como uma de suas atividades.

ecologo jeronimo villas-boasJerônimo trabalha, há mais de dez anos, no fortalecimento das cadeias produtivas de mel de abelhas nativas. Filho de antropólogos, o paulistano cresceu em terras indígenas e se liga nas conexões entre pessoas e ambiente.

Em sua atividade, leva em conta a relação cultural que a população tem com as abelhas, entende a produção, conduz para a estruturação e pensa nos protocolos para venda (e até na embalagem), para que o mel chegue à prateleira.

Ou melhor, os méis. Tão variáveis quanto for possível. Das diferentes espécies, produzidos na mata ou na restinga (“o mel é uma impressão digital do ambiente”, diz), pasteurizado ou fermentado.

Para que na colher, mesmo que ainda sem selos federais na embalagem, a gente sinta tudo isso. “A alma da minha trajetória é lutar contra a homogeneização”, ele resume.

Fonte: Jornal Folha de S.Paulo

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