A aroeira-pimenteira (Schinus terebinthifolius) e seu potencial como planta melífera

 

Família: Anacardiaceae

Espécie: Schinus terebinthifolius Raddi.

Sinonímia: Schinus aroeira Vellozo; Schinus terebinthifolius Raddi var. acutifolius Engl.; Schinus terebinthifolius var. pohlianus Engl.; Schinus terebinthifolius Raddi var. rhoifolius (Mart.) Engl.

Nomes populares: Aroeira-pimenteira, aroeira-vermelha, aroeira-mansa, aroeira, aroeira-braba, aroeira-branca, aroeira-da-praia, aroeira-do-brejo, aroeira-do-campo, aroeira-de-sabia, aroeirinha, coracaode-bugre, fruto-de-sabia, fruto-de-raposa, fruto-de-cutia, araguaraiba, corneiba, arvore-da-pimenta, cabui, cambui, lentisco.

Características botânicas: Arbusto ou arvoreta de ate 15m de altura (Figura 1). Os ramos são eretos ou apoiantes, flexíveis quando novos, pubescentes a vilosos ou glabros; folhas compostas imparipinadas, glabras, pubescentes ou vilosas; folíolos elípticos ou oblongos, quase oblanceolados, ápice agudo, acuminado; panículas compostas, densas ou glabras; drupa levemente achatada na parte distal, epicarpo vermelho-vivo a purpureo ou rosa-forte (Fleig & Klein, 1989). As flores são pentâmeras, actinomorfas, pequenas, dialissepalas e dialipetalas, dispostas em inflorescências compostas do tipo panícula racemosa.

Apresentam cinco sépalas pequenas e verdes, de formato triangular, e cinco pétalas pequenas, brancas e ovais e disco nectarífero de cor amarelo-ouro. Possuem dez estames heterodinamos, dispostos em duas fileiras concêntricas. As anteras são basifixas e apresentam deiscência longitudinal. O tecido que forma a teca e branco e o pólen e amarelo (Lenzi & Orth, 2004b; Cesário & Gaglianone, 2008).

Estudos sobre a morfologia e biologia floral demonstraram a existência de um padrão diferenciado das flores, em função da redução ou aborto do gineceu e do androceu (Oliveira & Grota, 1965; Fleig, 1987; Fleig & Klein, 1989; Lenzi & Orth, 2004b).

As flores masculinas possuem estames com anteras dorsifixas de cor amarela e gineceu rudimentar, sem ovulo funcional no interior do ovário enquanto as flores femininas apresentam gineceu com estigma trilobado e quase séssil, ovário supero, unilocular, com um único ovulo, androceu não funcional apresentando estames reduzidos com suas anteras indeiscentes, esbranquiçadas e sem produção de pólen.

As inflorescências masculinas são de tamanho maior, mas em numero são semelhantes para ambos os sexos. O numero médio de flores por inflorescência e maior para as plantas masculinas, apresentando uma proporção de flores femininas:masculinas de 1:4 (Lenzi & Orth, 2004b).

Distribuição geográfica: Sua distribuição é ampla, ocorrendo naturalmente no Brasil, Paraguai, Uruguai e leste da Argentina (Sanchotene, 1989). No Brasil, ocorre nos estados de Alagoas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe (Carvalho, 2003).

Hábitat: Schinus terebinthifolius é pioneira a secundaria inicial, heliófila ou de luz difusa; de ocorrência em diversos tipos de solos, de baixa fertilidade química a férteis, solos úmidos ou secos, arenosos ou argilosos, desde o nível do mar até 2.000 metros de altitude (Carvalho, 2003); comum na vegetação secundaria, nos estágios de capoeirinha, capoeira, capoeirão e floresta secundaria.

A espécie e bastante frequente nas orlas dos capões onde costuma estar associada com Lithrea brasiliensis March. (pau-de-bugre), Myrcia bombycina (O. Berg) Kiaersk. (guamirim-do-campo), Gomidesia sellowiana O. Berg (guamirim), Myrceugenia euosma (O. Berg) D. Legrand (cambuinzinho) entre outras espécies, podendo ocorrer ainda com Capsicodendron dinisii (Schwanke) Occhioni (pimenteira) e Schinus polygamus (Cav.) Cabrera (assobieira), formando, costumeiramente, a composição inicial dos capões (Reitz, 1989).

Schinus terebinthifolius ocorre com bastante frequência nas formações pioneiras de influencia-marinha (restinga). Na vegetação arbustiva da restinga, situada sobre as dunas fixas ou semifixas e, em geral, mais frequente do que o pau-de-bugre, sempre associada com o mesmo e com mirtáceas (Fleig & Klein, 1989).

Na restinga de Grussai/Iquipari, RJ, e considerada importante pelo alto índice de cobertura vegetal, ocorrendo em três das quatro formações vegetacionais da área: formação praial com moitas, formação de Clúsia e mata de restinga (Cesario & Gaglianone, 2008).

No Bioma Mata Atlântica ocorre na Floresta Estacional Decidual, na Floresta Estacional Semidecidual, na Floresta Ombrófila Densa e Floresta Ombrófila Mista (Carvalho, 2003).

Sua presença é frequente na Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária) e na Floresta Estacional Decidual do Alto Uruguai (Reitz, 1989). A espécie tem sido encontrada tanto na Floresta Ombrofila Mista Montana (Rondon-Neto et al., 2002) como na Floresta Ombrófila Mista Aluvial, nesta ultima apresentando o terceiro maior valor de importância no compartimento superior da floresta (Barddal et al., 2004).

A espécie ocorre, ainda, no Bioma Caatinga, onde seu pioneirismo e agressividade permitem o seu estabelecimento em locais adversos (Baggio, 1988; Sanchotene, 1989). Ocorre, também, no Bioma Cerrado, na Savana, Savana Florestada (Cerradão) e Campo Cerrado (Carvalho, 2003).

Uso econômico atual ou potencial Condimentar: O uso dos frutos da aroeira como produto condimentar denominado “pimenta rosa” tem sido bastante difundido em nível nacional e internacional, embora no Brasil ainda seja incipiente.

A pimenta rosa tem sido utilizada como substituta da pimenta-do-reino na região do cerrado de Minas Gerais (Laca-Buendia et al., 1992). Segundo esses autores, através das analises químicas dos frutos dessas espécies, foi constatada grande similaridade entre seus componentes químicos. A pimenta rosa vem sendo utilizada nas mais exigentes culinárias do mundo (Bertoldi, 2006) para temperar carnes brancas, salames e massas e conferir sabores exóticos a bebidas e doces, como coquetéis e chocolates.

Bertoldi (2006) constatou elevada aceitabilidade da pimenta rosa na utilização deste condimento tanto em salmão como em chocolate. Introduzida na cozinha francesa com o nome de “poivre rose”, “pepe rosa” na italiana, “pimienta rosa” na espanhola e “blassroter pfeffer” na alemã e “pink pepper” ou “brazilian pink peppercorn” na americana, a aroeira-pimenteira vem sendo amplamente utilizada e apreciada na culinária internacional.

O seu sabor suave, levemente apimentado e a sua bonita aparência de uso decorativo permitem utiliza-la na forma de grãos inteiros ou moída.

Procedentes de (ilhas) Maurícios, os frutos da aroeira-pimenteira são comercializados na Alemanha como sucedâneos da pimenta-do-reino (Carvalho, 1994). Com alto potencial econômico, a pimenta rosa, atualmente, atinge preços comparáveis a pimenta-do-reino (Bertoldi, 2006) no mercado internacional, principalmente, devido ao aumento na demanda e disponibilidade reduzida.

No Brasil, existem registros de produção em maior escala no Estado do Espírito Santo (Bandes,2008). A espécie vem sendo explorada, numa escala menor, para esta finalidade em outras regiões do Brasil, principalmente no litoral, em áreas de restinga, e tem se tornado uma fonte de renda importante para os moradores no período de menor atividade pesqueira (Cesario & Gaglianone, 2008). No Brasil a produção é obtida, na sua maior parte, por meio de colheita dos frutos em áreas nativas.

Somente no Estado do Espírito Santo existem registros de alguns plantios de aroeira, voltados para produção de pimenta rosa (Bandes, 2008). Os frutos da aroeira, no Pais, são utilizados apenas em sua forma desidratada e comercializados, na maioria das vezes, a granel (Bertoldi, 2006). Geralmente, 3kg de sementes frescas produzem 1kg de material processado (Bandes, 2008).

A produção industrial de pimenta rosa no Brasil esta regulamentada pela resolução RDC no 276, de 22 de setembro de 2005, da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA ), onde foi aprovado o “Regulamento Técnico para Especiarias, Temperos e Molhos”.

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Medicinal: Na medicina popular, Schinus terebintifolius possui qualidades antineuvrágicas, adstringentes, tonicas e estimulantes, mas seu consumo deve ser feito com cautela devido as propriedades toxicas (Correa, 1978). A espécie também é popularmente utilizada no tratamento de doenças venéreas, reumatismo, diarreias, dores, gengivite e febre (Ngokwey, 1995; Bertoldi, 2006).

O decoto da casca do caule de aroeira tem sido tradicionalmente utilizado, pelas mulheres nordestinas, para tratar cervicítes e corrimento genital (Santos & Amorim, 2002). São atribuídas inúmeras qualidades medicinais a aroeira, a maioria de uso restrito ao ambiente domestico (Baggio, 1988), de importância econômica potencial.

Várias destas propriedades medicinais estão associadas a presença de polifenóis na planta (Bertoldi,2006), como a apigenina, acido elágico e naringina (Queires & Rodrigues, 1998), associados as propriedades antioxidantes (Degaspari et al., 2004) na aroeira-pimenteira.

Diversas substancias presentes no extrato da aroeira-pimenteira apresentam atividade antimicrobiana, como a terebinthona, o ácido hidroximasticadienoico, o acido terebinthifolico e o acido ursolico (Amorim & Santos, 2003). A pesquisa já demonstrou, in vitro, atividade contra Klebsiella pneumoniae, Alcaligenes faecalis, Pseudomonas aeruginosa, Leucomostoc cremoris, Enterobacter aerogenes, Proteus vulgaris, Clostridium sporogenes, Acinetobacter calcoacetica, Escherichia coli, Beneckea natriengens, Citrobacter freundii, Serratia marcescens, Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e varias espécies de fungos (Aspergillus) (Guerra et al., 2000; Martinez et al., 1996; Sokmen et al., 2004).

Múltiplos mecanismos de ação tem sido descritos para Schinus terebinthifolius, demonstrando–se atividade anti-inflamatória não esteroide pela inibição competitiva especifica da fosfolipase A2 por dois de seus componentes o schinol e o acido masticadienóico (Amorim & Santos, 2003). Os bioflavonoides, que são dímeros precursores dos taninos, componentes presentes nos extratos da aroeira, também apresentam ação anti-inflamatória (Martinez et al., 1996).

Em um estudo preliminar em que o gel de aroeira (300mg de extrato hidro-alcóolico de Schinus terebinthifolius, 1g de gel de carbopol, 10g de glicerina, 0,125g de benzoato de sódio, tritanolamina pH 4-5 e 2,5g de água destilada) foi utilizado por mulheres com diversos tipos de vulvovaginites e cervicites, incluindo 30 pacientes com vaginose bacteriana (Santos & Amorim 2002).

Nesse estudo, os autores registraram percentual de cura em 80% das pacientes, porem o estudo não foi controlado. Em um ensaio clinico randomizado, realizado em 48 mulheres com vaginose bacteriana sintomática, comparando-se o uso de gel vaginal de aroeira com placebo, Amorim e Santos (2003) obtiveram uma taxa de cura (parâmetros clínicos de Amsel para vaginose bacteriana) de 84% no grupo da aroeira e 47,8% no grupo placebo, observando que não houve efeitos colaterais importantes e frequência significativamente maior de lactobacilos na colpocitologia entre as pacientes tratadas com gel de aroeira em relação ao placebo.

Os autores destacam que apesar de se tratar de um pequeno ensaio clinico, a taxa de cura observada neste estudo com o uso do gel de aroeira e comparável aos resultados publicados para o metronidazol e clindamicina em diversos outros estudos, demonstrando que o gel de aroeira pode constituir uma alternativa terapêutica segura e eficaz para os casos de vaginite bacteriana.

Os estudos científicos do extrato hidroalcoólico e aquoso da entrecasca procuram comprovar os efeitos adstringente, antimicrobiano in vitro, anti-inflamatório e cicatrizante.

Pesquisas mais recentes tem demonstrado um efeito favorável da aroeira, em nível microscópico, no processo de cicatrização de anastomoses de colón (Coutinho et al., 2006) e, também, um efeito cicatrizante favorável nas cistotomias (Lucena et al., 2006), em ratos.

Com base no uso popular, Costa et al. (2008) realizaram estudos preliminares no Departamento de Farmacologia Aplicada (Farmanguinhos), FIOCRUZ, com 10 extratos de partes diferentes da planta da espécie S. terebinthifolius. Os autores observaram que o extrato etanólico da casca foi capaz de inibir a produção de oxido nítrico por macrófagos murinos in vitro. Ensaios in vivo demonstraram que o extrato etanólico possui uma potente ação anti-inflamatória, pois foi capaz de inibir a pleurisia induzida por zimosan ou carragenina em camundongos e ratos na mesma magnitude que o fármaco de referência, diclofenaco de sódio.

O conjunto dos resultados obtidos nas pesquisas desenvolvidas com Schinus terebinthifolius nos laboratórios de Farmanguinhos – FIOCRUZ levou a criação de um projeto visando o desenvolvimento de um fitoterápico com atividade anti-inflamatória e analgésica dentro do programa PDTIS/FIOCRUZ (Rede de Medicamentos) (Costa et al., 2008).

Ambiental: A espécie é recomendada para recuperação de solos pouco férteis (como rasos, rochosos, hidromórficos ou salinos), devido ao seu caráter de rusticidade, pioneirismo e agressividade (Carvalho, 1988). A espécie tem sido recomendada, também, para a recuperação de áreas degradadas nos estágios inicial e médio, em cursos de água, na Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional Decidual e Floresta Estacional Semidecidual (Glufke, 1999).

Em restauração dos ambientes fluviais ou ripários (mata ciliar ou mata de galeria), ela pode ser utilizada em áreas com inundações periódicas de curta duração e com períodos de encharcamento moderado (Salvador & Oliveira, 1989; Durigan & Nogueira, 1990; Kageyama, 1992). Todavia, essa espécie é sensível a encharcamentos prolongados (Kageyama et al., 1991).

Indicada para o reflorestamento das margens dos reservatórios das hidroelétricas por se tratar de espécie heliófita e pioneira, com grande agressividade sobre os campos, bem como por produzir abundantes frutos vermelhos muito procurados por pássaros (Reitz et al., 1983). Todavia, existem relatos de efeitos tóxicos dos frutos da aroeira-pimenteira sobre algumas espécies de pássaros (Kaistha & Kier, 1962; Sanchotene, 1989).

Recomendada em sistemas silvipastoris, para sombreamento e arborização de pastos para sombreamento dos animais (Baggio et al., 1989), para arborização de ervais (Baggio et al., 2008) e para uso como palanques com arvores vivas.

A aroeira-pimenteira apresenta características adequadas para o desenho de sistemas de suporte físico de videiras, uma vez que trata-se de uma planta lenhosa, de baixa estatura, com resistência ao sombreamento e rápido crescimento inicial (Wojtkowski, 1999 citado por Wolff et al., 2007).

É fornecedora de moirões de boa qualidade, resistentes e de grande durabilidade (Reitz et al., 1988; Lorenzi, 2002) e adequada para o uso de moirões vivos. Neste sentido, a aroeira-pimenteira foi avaliada em sistemas agro florestais e considerada como um bom pasto melitófilo para a apicultura e meliponicultura, podendo ser conduzida de forma integrada ao cultivo agroecológico de videiras, onde foi utilizada, também, como mourões vivos, em sistema de espaldeira (Wolff et al., 2007).

Na costa atlântica do Brasil, ela e plantada para estabilização de dunas (Flinta, 1960), e em Minas Gerais, e recomendada para a recuperação de áreas degradadas pela extração de areia (Souza et al., 2001). Estudos recentes tem demonstrado o potencial de Schinus terebinthifolius, para uso em processos de fitoestabilização, recuperação e revegetação de áreas contaminadas com arsênio (Costa,2007).

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Melífera: A aroeira e uma espécie de valor apícola (Wolff et al., 2007) para a produção de mel de qualidade e pólen. Com período de floração prolongado, estendendo-se desde outubro ate abril, parece haver preferência das abelhas pelas suas flores brancas e pequenas, devido a frequência regular de visitação, principalmente quando outras espécies não estão em floração (Baggio, 1988); pode proporcionar receitas precoces ao apicultor, considerando a observação de Carvalho (1981) de que a aroeira floresce a partir dos três meses de idade, em plantios.

Bastos et al. (2003) identificaram Schinus sp. como uma das fontes importantes de pólen e néctar no cerrado brasileiro. Pesquisas desenvolvidas por Lenzi e Orth (2004b) tem demonstrado que S. terebinthifolius possui odores em suas flores como mecanismo para atrair visitantes florais e possíveis polinizadores, principalmente abelhas. Segundo os autores, uma panícula masculina pode chegar a apresentar em media 69 flores abertas ao dia.

Desta forma, entende-se que o volume reduzido individualmente seria compensado por maior produção conjunta, através de um grande numero de inflorescências por ramos e de varias flores abertas diariamente. As abelhas começam o forrageamento sobre as flores da aroeira-pimenteira já no inicio do dia, por volta das 6h, em busca de néctar e pólen nas flores masculinas e néctar nas flores femininas.

As abelhas concentram suas visitas para a coleta maciça de pólen pela manhã e de néctar a tarde.

Óleos essenciais: Dos frutos de Schinus terebinthifolius se extrai um óleo utilizado, principalmente, na medicina popular no tratamento de varias doenças (Bertoldi, 2006).

Na literatura, existem registros variados nos teores de óleo essencial no fruto da aroeira-pimenteira, em função do método utilizado. Bertoldi (2006) obteve rendimento de 7%v/p (ml de óleo essencial por 100g de pimenta rosa em peso seco), quando extraído por arraste de vapor durante três horas.

A autora observou variações na atividade antioxidante do óleo essencial extraído dos frutos de diferentes origens.

Clemente (2006) mostrou que o tempo de extração altera não só a quantidade produzida, mas também a proporção dos constituintes do óleo essencial dos frutos da aroeira-pimenteira.

A maior contribuição a atividade antioxidante da pimenta rosa advém de compostos polares, principalmente compostos fenólicos. Estas propriedades antioxidantes da aroeira poderão ser potencializadas através da aplicação do seu extrato fenólico, ou mesmo de outras frações como a oleorresina e o óleo essencial, em produtos farmacêuticos, alimentos e cosméticos (Bertoldi, 2006).

Santos et al. (2007) obtiveram óleo essencial das folhas de Schinus terebinthifolius Raddi, com teores que variaram de 0,49 a 0,70%.

Ornamental: A aroeira tem sido recomendada e utilizada como espécie ornamental, podendo ser empregada com sucesso em arborização urbana, pela beleza da folhagem, floração prolongada e frutificação persistente (Lorenzi, 2002; Carvalho, 2003).

Em adição, a natureza do sistema radicial, a adaptabilidade tanto as condições de luz quanto a sombra e o porte médio da espécie tem justificado a sua recomendação em plantios em calcadas e canteiros centrais de avenidas, incluindo locais onde existe rede elétrica ou telefônica (Sanchotene, 1989).

Todavia, o fato de apresentar, principalmente nas folhas, propriedades alergênicas em pessoas sensíveis, ocasionando intoxicações e alergias (Baggio, 1988; Correa, 1978), mesmo não havendo contato direto, pode restringir o uso desta espécie no paisagismo de espaços públicos (Lorenzi, 2002).

Como ornamental, S. terebinthifolius foi introduzida no inicio do século passado na Europa e nos Estados Unidos, na arborização de parques e avenidas de varias cidades. No Brasil, vem sendo utilizada em praças, parques e jardins do Município de Porto Alegre e outros, demonstrando boa sobrevivência nas condições urbanas.

Outros usos: Na literatura foram verificados outros usos múltiplos para a Schinus terebinthifolius.

Conforme Carvalho (2003), a aroeira e, também, indicada para:

Energia: Produz lenha e carvão de boa qualidade. O poder calorífico da madeira e de 4.632kcal/kg a 4.891kcal/kg; o teor de lignina e de 25,21%; o poder calorífico do carvão varia de 8.047kcal/kg a 8.07kcal/kg, e o teor de carbono fixo (% carvão seco) e de 85,2% (Baggio, 1988).

Goma-resina: É importante fonte de goma-resina, extraida da casca, sendo aromática e conhecida por mastique. Esse exsudato tem propriedades antitérmicas, homeostáticas e antitussígenas (Oliveira & Grotta, 1965).

Madeira serrada e roliça: A madeira da aroeira-pimenteira e usada principalmente como mourões de cerca, já que e madeira de pouco valor comercial. Na Região Metropolitana de Curitiba, PR, e utilizável para cabos de ferramentas ou de utensílios domésticos (Baggio & Carpanezzi, 1998).

Matéria tintorial: Um pigmento utilizado para tingir e fortalecer redes de pesca e extraído da casca.

Óleo essencial: Da semente extrai-se óleo volátil, com atividade inseticida comprovada em mosca (Musca domestica) (Saleh, 1988).

Substancias tanantes: Apresenta ate 10% de tanino na casca, utilizado localmente em curtume e para fortalecer redes de pesca (Rizzini & Mors, 1976).

Partes usadas: Todas as partes da planta estão associadas aos usos descritos na literatura: folhas, flores, frutos, casca e raiz e, também, a planta inteira.

Aspectos ecológicos, agronômicos e silviculturais para o cultivo: Avaliando populações de Schinus terebinthifolius Raddi em áreas de influencia marinha, no litoral de Santa Catarina, Lenzi e Orth (2004b) verificaram que a espécie ocorria de modo agregado, com plantas distantes entre si, em torno de 2 a 10 metros, apresentando uma proporção aproximada entre plantas femininas e masculinas de 1:1.

A floração ocorreu em dois períodos: de outubro a novembro, com cerca de 20% dos indivíduos avaliados em florescimento, e entre fevereiro a abril, com florescimento de todos os indivíduos de ambos os sexos.

O período de floração do segundo ciclo durou em torno de 45 dias, com varias flores abertas ao longo de todo o período. Os autores constataram que existe uma ordem na abertura das flores nas inflorescências, sempre iniciando
das flores terminais para as flores da base da panícula.

Sendo a aroeira espécie dioica e suas flores diclinas, sua estratégia de polinização e a cruzada (xenogamia/alogamia) e desta forma necessita de agentes bióticos para o transporte dos seus grãos de pólen.

Lenzi e Orth (2004a, b) constataram que a transferência de pólen é mediada exclusivamente por insetos polinizadores, observando um grande e diversificado numero de visitantes florais nas flores da aroeira-pimenteira, durante todo o período de floração. Estes insetos constituíram-se, na sua maioria, de abelhas (Apidae, Halictidae, Colletidae e Megachilidae), de moscas (Syrphidae, Calliphoridae, Muscidae, entre outras) e de vespas (Vespidae, Pompilidae e Sphecidae), que visitaram as flores de ambos os sexos ao longo de todo o dia.

Esses insetos apresentaram padrão de forrageio e de comportamento semelhantes, em busca de pólen e néctar nas flores masculinas e de néctar nas flores femininas.

Desta forma, segundo os autores, a aroeira-pimenteira pode ser classificada como uma espécie possuidora da síndrome de entomofilia e ser generalista quanto a diversidade desta entomofauna visitante floral.

Uma vez fertilizada a flor, e possível visualizar o ovário em desenvolvimento a partir do segundo ou terceiro dia. A media de flores femininas, verificada em uma inflorescência, foi de 346,25 } 53,91 (N= 8), e a media de frutos em um cacho foi de 120,18 } 26, 89 (N= 32).

Portanto, a taxa de frutificação efetiva natural determinada para a aroeira-pimenteira, no estudo de Lenzi e Orth (2004a), foi da ordem de 34,7%, sendo esta muito próxima da taxa media de frutificação obtida nos tratamentos
de polinização livre na área natural (34%).

A flor masculina possui, em media, 99.267 grãos de pólen, e a feminina é uniovulada. Os autores determinaram que S. terebinthifolius é uma espécie com uma razão pólen/ovulo alta, considerada, portanto, uma espécie xenogamica, ou seja, dependente da polinização cruzada para obter seu sucesso reprodutivo.

O amadurecimento e consequente dispersão dos frutos iniciam após 30 dias do inicio da floração, perdurando ate os meses de janeiro, no primeiro ciclo, e junho, no segundo ciclo (Lenzi & Orth, 2004b). Schinus terebinthifolius apresenta rápido crescimento, sendo bastante tolerante a solos pobres, ventos fortes e alta luminosidade. Pode ser facilmente cultivada e é atraente para fauna nativa.

De grande plasticidade ambiental, suporta condições de inundação e solos encharcados, sendo capaz de se estabelecer em habitats muito adversos. Apresenta alta capacidade de ocupação em áreas degradadas, alem de ser uma das espécies mais procuradas pela avifauna (Santochene, 1989).

Entretanto, a sua alta capacidade reprodutiva torna-a agressiva na invasão de áreas onde sua presença não é desejável (Baggio, 1988), sendo recomendada cautela no planejamento e manejo dos seus plantios, principalmente fora da sua região de origem.

Carvalho (2003) considera a aroeira-pimenteira uma espécie de crescimento moderado, na qual a maior produção volumétrica obtida em plantios foi 12m3.ha-1.ano-1, aos 10 anos de idade. Todavia, o autor ressalta as altas taxas de sobrevivência obtidas nos plantios, variando de 67% a 100%, com uma estimativa de rotação de 10 a 20 anos para mourões (Baggio, 1988).

A aroeira-pimenteira apresenta resposta positiva a adubação com NPK, mostrando incrementos de 125% e 126% para altura, 325% e 260% para diâmetro da copa e 160% e 222% para diâmetro da base, aos oito e 16 meses após o plantio, respectivamente, em comparação com a testemunha (sem adubação), de acordo com os estudos de Lima (1995).

A omissão de nitrogênio mostrou-se muito limitante ao crescimento inicial, tanto aos oito como aos 16 meses, com reduções no crescimento variando entre 36,5% e 65%. A omissão de fósforo foi similarmente limitante ao crescimento inicial da aroeira-pimenteira, com reduções no crescimento variando entre 32,6% e 60%. A omissão do potássio foi menos limitante ao crescimento inicial, com reduções variando entre 5% e 35%, para as características avaliadas.

A pesquisa de Lima (1995) mostrou, também, que a aroeira-pimenteira responde positivamente as doses crescentes de superfosfato simples, apresentando uma resposta quadrática, tanto aos oito como aos dezesseis meses após o plantio: houve um incremento ate a dose de 200g de superfosfato simples por cova e efeito depressivo quando se utilizou a dose de 400g/cova.

O comportamento observado para esta espécie mostra variações daqueles apresentados por outras espécies do mesmo grupo ecológico avaliadas no mesmo estudo, possuindo a aroeira-pimenteira um maior requerimento
externo de fósforo ou, por outro lado, apresentando uma menor eficiência de uso deste nutriente, necessitando por isto de maiores doses de superfosfato simples para atingir o patamar de crescimento Maximo, que segundo o autor pode ser devido ao sistema radicular pouco desenvolvido.

Propagação: A propagação da aroeira-pimenteira pode ser feita por sementes ou por estaquia a partir de segmentos da raiz e do caule, pois ambos os órgãos vegetativos emitem brotações quando cortados (Santochetene, 1989; Carvalho, 1994).

Estudando a multiplicação da aroeira-pimenteira por estaquia, Rodrigues (1990) observou que estacas radiciais de aroeira plantadas na época do outono não brotaram e nem enraizaram enquanto as estacas caulinares finas, medias e grossas tiveram uma sobrevivência media de 42,9%, 66,7% e 52,3%, respectivamente, apresentando o maior enraizamento (23,8%) nas estacas de diâmetro médio.

Na época da primavera/verão, as estacas caulinares finas de aroeira apresentaram enraizamento de 4,8%, as medias de 19,1% e as grossas de 21,3%. A propagação por sementes depende da disponibilidade de frutos em grande quantidade e boa qualidade.

A espécie responde bem a manipulação artificial (humana) de suas flores, mas, também, se obtém excelente sucesso reprodutivo através da polinização livre (xenogamia/alogamia) (Lenzi & Orth, 2004a).

A polinização livre (mediada por abelhas A. mellifera) é o método mais indicado para o aumento da frutificação de Schinus terebinthifolius em áreas de cultivo, pois, segundo os autores, o pequeno tamanho das flores (<5mm) e o grande numero dessas seriam os fatores limitantes para o uso da polinização cruzada manual em áreas de cultivo mais intensificado, pois demandaria muito tempo e mão-de-obra qualificada e em grande quantidade.

Os frutos da aroeira-pimenteira devem ser colhidos quando passam da coloração verde para roseo-vermelho. A extração das sementes é feita por maceração dos frutos e para a remoção da casca deve-se lavar em água corrente.

Após a extração, as sementes devem ser colocadas em peneiras e secas em ambiente ventilado, podendo ser submetidas a processo de secagem em temperaturas inferiores a 40ºC. O numero de sementes por quilo varia de 31.000 a 42.000 (Carvalho, 1994; Reitz et al.,1983).

As condições mais favoráveis para o armazenamento de sementes de aroeira-pimenteira, por até 360 dias, com 7,8% de umidade, e a câmara seca (14ºC e 38% UR), quando embaladas em saco de papel permeável. O armazenamento em câmara fria (4ºC e 84% UR) e embalagem semipermeável de sementes com 12,6% de umidade podem ser recomendados por ate seis meses.

Em condições ambientais, o armazenamento das sementes com 12,6% de umidade pode ser recomendado por ate cinco meses (Medeiros & Zanon, 1998).

As sementes devem ser semeadas de preferência na primavera, em canteiros ou caixas (Reitz et al., 1983). A emergência de plântulas em viveiro ocorre entre 10 e 70 dias, correspondendo a cerca de 80%, a céu aberto e em solo bem drenado.

O plantio das mudas pode ser realizado a partir de quatro meses e o crescimento no campo e rápido, sendo mais intenso nos primeiros anos de vida, podendo atingir um metro de altura em um ano. Mudas com altura entre 20cm e 80cm não apresentam problemas no plantio (Sanchotene, 1989; Carvalho, 1994; Backes & Irgang, 2002; Almeida, 2005).

Na produção de mudas de S. terebinthifolius, Almeida (2005) recomenda o uso de substratos de casca de Pinus com vermiculita misturados com 20% a 30% de casca de arroz carbonizada ou fibra de côco granulada, com ou sem vermicomposto, com adubações de base e de cobertura.

Segundo os resultados obtidos nos seus estudos, os substratos puros de casca de Pinus com vermiculita e casca de arroz carbonizada, bem como as misturas realizadas com 70% de casca de arroz carbonizada não são recomendados para a produção de mudas de S. terebinthifolius, uma vez que geraram plantas com características inferiores em relação aos outros substratos.

A autora recomenda que as mudas não permaneçam mais de 100 dias no viveiro, sob risco de ocorrência de pragas (tripés e lagartas) e seca da parte aérea, ocasionando redução na qualidade das mudas. Em adição, uma avaliação aos 105 dias após a emergência das plântulas, revelou que as raízes de aroeira apresentavam amplo sistema radicial com coloração avermelhada, muitas raízes finas, e poucas extremidades esbranquiçadas.

Isto mostra que o sistema radicial das mudas já teria alcançado o seu limite de crescimento e poucas raízes mantinham-se ativas, o que se deve principalmente ao espaço limitado do tubete (de 100cm3).

Considerando o padrão para plantio de 3,0mm de diâmetro e 25cm de altura, Jose et al. (2005) concluíram ser possível produzir mudas de aroeira em tubetes de 50mL e 150mL de capacidade, num ciclo de 90 dias após a repicagem.

Os autores observaram, também, que a redução na densidade de cultivo propiciou aumento na qualidade das mudas de aroeira, considerando-se as características, diâmetro do coleto, peso da matéria seca das raízes e potencial de crescimento radicular. Aos 250 dias após o plantio não foram verificadas diferenças significativas em altura e diâmetro do coleto das mudas produzidas em tubetes (50mL e 150mL de capacidade) e sacos plásticos (2.250mL de capacidade).

Barroso et al. (1998) testaram a adubação em mudas de aroeira-pimenteira produzidas em substrato constituído por resíduos agroindustriais (bagaço de cana e torta de filtro, peneirados), verificando que o nitrogênio foi o único fator limitante, tendo proporcionado aumentos em altura, diâmetro do colo, área foliar e peso seco da parte aérea e do sistema radicular. Seus dados indicaram que a dose adequada de nitrogênio, para as condições do experimento, esta acima de 200mg/kg.

aroeira_pimenteira_frutos

 

Experiências relevantes com a espécie: Na Região Sul do Brasil, as experiências com a aroeira ainda são pontuais e muito pouco documentadas. Segundo Bandes (2008), uma empresa processadora de frutos, destinados a produção de pimenta rosa, localizada no Município de São Mateus, no Espírito Santo, apresenta dados crescentes de vendas, gerando demanda pelo produto e adquire os frutos da aroeira desde o litoral nordestino até o Estado de Santa Catarina, evidenciando um comercio, ainda que incipiente, nos estados do sul.

Wolff et al. (2007) relatam uma experiência conduzida por sete anos pela família Schiavon em Pelotas/RS, em um sistema agroflorestal envolvendo produção integrada entre abelhas africanizadas (Apis mellifera), abelhas mirim-mosquito (Plebeia nigriceps), aroeira-vermelha (Schinus terebinthifolius) e videiras (Vitis vinifera) ‘bordo’.

Os autores investigaram a efetividade da aroeira-vermelha como pasto melitófilo para a apicultura e meliponicultura, bem como sua aplicabilidade em sistemas agroflorestais, como forma de identificar e valorizar os processos criativos dos agricultores em estagio de transição agroecológica.

O parreiral foi conduzido em sistema de espaldeira, com moirões vivos de aroeira-vermelha. A propriedade integra o projeto de pesquisa participativa em rede de referencia para a agricultura familiar de base ecológica na Região Sul do RS.

Foram usadas ferramentas metodológicas qualitativas, tanto para as analises de campo quanto para as observações em laboratório, confirmando o bom potencial da aroeira-pimenteira como espécie benéfica as criações de abelhas, podendo ser conduzida de forma integrada ao cultivo agroecológico de videiras.

Situação de conservação da espécie: Não foram encontradas na literatura, ate o momento, informações sobre a conservação de Schinus terebinthifolius.

Perspectivas e recomendações:  As várias formas de uso de Schinus terebinthifolius Raddi descritas neste trabalho envolvem, principalmente, quatro fluxos de produção (considerando desde o agricultor/coletor/extrator ate o consumidor final) com potencial de organização: a produção de pimenta-rosa; a produção de fitoterápicos; a produção de mudas para recuperação ambiental; e a produção de mel.

No fluxo de produção da pimenta-rosa, a produção em escala comercial no Brasil ainda e bastante restrita e pouco expressiva, frente ao mercado nacional e internacional em franca expansão.

A pimenta-rosa vem demonstrando potencial de substituir a pimenta-preta, por apresentar sabor e efeito semelhante e poder ser cultivada em uma variedade de condições ambientais enquanto o cultivo da pimenta-preta esta restrito a um tipo de ambiente.

Entretanto, existem indícios de que o sabor e a qualidade da pimenta-rosa podem variar em função da origem, o que necessita ser mais bem investigado.

A produção no pais necessita ainda de muita organização e capacitação dos agricultores e empresários envolvidos, para se conseguir um produto de alta qualidade e com competitividade no mercado internacional, bastante exigente.

Por ser uma atividade nova, ha a necessidade de pesquisas sobre tecnologias de cultivo, processamento e transformação.No fluxo da produção de fitoterápicos, já existem medicamentos sendo desenvolvidos, por instituições de ensino e de pesquisa que atuam na área, produtos farmacêuticos comerciais contendo extrato de aroeira-pimenteira.

Entretanto, muito pouca informação esta disponível sobre a cadeia produtiva envolvida na produção destes fitoterápicos. A produção de um fitoterápico depende de fornecimento continuado e com qualidade da planta utilizada como matéria-prima para a sua fabricação.

Com a implementação da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (Decreto no 5813, de 22/06/06) e do Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (Portaria Interministerial, 2.960 de 09/12/08), – que em seus princípios orientadores, objetivos e diretrizes, intenciona “garantir a população brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos, promovendo o uso sustentável da biodiversidade e a repartição dos benefícios derivados do uso dos conhecimentos tradicionais associados e do patrimônio genético, bem como o desenvolvimento da cadeia produtiva, promovendo a inclusão da agricultura familiar nas cadeias e nos arranjos produtivos das plantas medicinais, insumos e fitoterápicos e da industria nacional”, – este e um fluxo de produção que apresenta enormes possibilidades de crescimento nas áreas de ocorrência ou em áreas propicias para o cultivo da aroeira.

A Região Sul do Brasil apresenta imensas possibilidades para o desenvolvimento desta cadeia produtiva, pois a aroeira-pimenteira ocorre naturalmente na maioria das formações vegetais desta região e nestes estados se concentram grande parte da pesquisa em fitoterapia e áreas correlatas, alem de sediar vários laboratórios de medicamentos fitoterápicos.

No fluxo de produção de mudas de aroeira-pimenteira, já existe pelo menos uma empresa, sediada em Santa Catarina, que produz e comercializa mudas da espécie para fins de recuperação de áreas degradadas e uso em sistemas agro florestais.

Já existem resultados de pesquisas visando a produção e melhoria da qualidade das mudas da aroeira-pimenteira, a maioria gerada nas instituições de ensino e pesquisa localizadas na Região Sul do Brasil.

Com isto, este segmento tem possibilidades de crescimento na Região Sul, acompanhando o aumento da demanda ambiental e, também, do segmento de plantas ornamentais. O estimulo a este segmento poderá advir, também, da expansão dos demais fluxos de produção, como a produção de pimenta-rosa e de fitoterápicos na Região Sul.

A produção de muda de aroeira pode vir a ser uma atividade complementar para agregação de renda na pequena propriedade, desde que haja capacitação e organização para tal, bem como inserção nas diversas cadeias produtivas que envolvem a espécie.

No fluxo de produção de mel, a pesquisa vem demonstrando bom potencial de utilização da espécie, especialmente quando utilizada em sistemas agro florestais em produção integrada para agregar valor na pequena propriedade.

Seu florescimento precoce, já no primeiro ano após o plantio, aliado a possibilidade de ocorrência em dois períodos favorecem a atividade apícola.

Embora seja uma espécie aparentemente pouco cultivada no Brasil, Schinus terebinthifolius possui um grande potencial para exploração e uso. Em viveiros, esta espécie floresce e frutifica já no primeiro ano de vida, o que sugere um retorno em curto prazo para quem investir em seu cultivo.

Adicionalmente, sua alta plasticidade ecológica permite-lhe ocupar diversos tipos de ambientes e formações vegetais, favorecendo e aumentando as chances de seu cultivo em diversas regiões do Brasil.

Apesar disto, a produção de matéria-prima no Brasil para atender, pelo menos, aos fluxos principais e ainda incipiente. Existe uma necessidade premente de investimento, integração e organização dentro e entre os diferentes segmentos que compõem os vários fluxos ou cadeias de produção de Schinus terebinthifolius.

Hoje já existe toda uma base legal que favorece a exploração da vegetação nativa pelos pequenos proprietários. Nos últimos anos, alguns instrumentos da legislação ambiental brasileira criaram possibilidades de autorização do manejo de populações naturais, especialmente em pequenas propriedades e em caso de interesse social ou de baixo impacto ambiental, possibilitando, também, o manejo agro florestal, ambientalmente sustentável, praticado na pequena propriedade ou posse rural familiar.

Várias políticas publicas foram regulamentadas, recentemente, incentivando a conservação e a utilização sustentável da biodiversidade brasileira. A aroeira-pimenteira, apesar de ser conhecida no meio rural, ainda e muito pouco utilizada em sistemas integrados de produção, principalmente pelos pequenos e médios produtores.

Esta essência florestal possui atributos importantes para usos múltiplos que poderiam ser melhor aproveitados para gerar renda aos agricultores familiares, alem de propiciar a conservação desta espécie e da biodiversidade
em geral. O imenso potencial de utilização e as características de Schinus terebinthifolius reforçam a necessidade de políticas governamentais que incentivem o plantio desta espécie e garantam sua utilização futura, de forma sustentável.

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