Aroeira-pimenteira, oferta de pólen e néctar as abelhas sem ferrão

Aroeira-vermelha, aroeira-pimenteira ou poivre-rose são nomes populares da espécie Schinus terebinthifolius, árvore nativa da América do Sul da família das Anacardiácea, considerada como uma das mais importantes fontes de néctar e pólen às abelhas nativas do cerrado brasileiro. A aroeira-pimenteira tem potencial como planta melífera, além de diversos usos.

Outros nomes populares: aguaraíba, aroeira, aroeira-branca, aroeira-da-praia, aroeira-do-brejo, aroeira-do-campo, aroeira-do-paraná, aroeira-mansa, aroeira-negra, aroeira-precoce, aroerinha-do-iguapé, bálsamo, cambuí, fruto-do-sabiá.

Árvore de porte médio, dióica, de folhas compostas, aromáticas. Flores pequenas em panículas, fruto tipo drupa, vermelho-brilhante, aromático e adocicado. Reproduz-se por sementes ou por estacas. Atinge de 5 a 10 metros, é comum em beira de rios, córregos, e em várzeas úmidas de formações secundárias, contudo, cresce também em terrenos secos e pobres. É amplamente disseminada por pássaros, o que explica sua boa regeneração natural.

Atrai centenas de polinizadores, inclusive várias espécies de abelhas

A espécie é generalista quanto aos polinizadores, possuindo uma vasta gama de vetores de pólen, sendo em geral polinizada efetivamente por várias espécies de abelhas e vespas e potencialmente por diversos outros insetos. Ocorre em boa parte da América latina, no Brasil desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul, em várias formações vegetais, sendo mais comum em beiras de rios.

A aroeira-salsa e a aroeira-pimenteira são usadas em culinária, recebendo na França o nome de poivre rose, um tipo de pimenta doce. Usada em medicina popular. Indicada medicinalmente no tratamento da artrite, febres, ferimentos e reumatismos. Ávila registra os seguinte usos etnofarmacológicos: antiinflamatória, atiespasmódica, tônica, vulnerária, diurética, antileucorréica, emenagoga, adstringente, cicatrizante, balsâmica e bactericida. Assinalando ainda que com a resina azulada da casca os jesuítas preparavam o “balsamo das missões” de uso corrente entre a população cabocla.

De acordo com Guilherme Piso (1611 – 1678) a aroeira ou lentisco é semelhante à Murta europeia e à Molle dos peruanos tendo também propriedades comuns com o Araçá e outros vegetais adstringentes e odoríferos, sendo sua peculiaridade a emanação de uma resina fragantíssima da qual se prepara um emplastro contra as afecções frias. Segundo ele extrai-se também, um óleo de suas bagas suculentas, que serve para o mesmo emprego da resina com qualidades aromáticas e quentes. Da destilação de suas folhas frescas se extrai uma água odorífera e adstringente que …”se conserva tanto para expulsar as afecções do corpo como para o luxo”.

Flor de Aroeira pimenteira

Flor de Aroeira pimenteira

No Brasil registra-se ainda nos candomblés jêje-nagôs o uso da aroeira comum ou aroeira-vermelha, onde é conhecida pelos nomes de àjóbi (àjóbi oilé e àjóbi pupa) seu uso nos sacrifícios de animais quadrúpedes em ebós e sacudimentos além do emprego medicinal como anti-reumático, contra feridas, inflamações, corrimentos e diarreias. Barros e Napoleão, 1999 (o.c.) a definem como uma planta associada aos Orixás, Ossain, Ogun e Exu, ou seja suas características correspondem às características destes orixás enquanto categorias de classificação do pensamento mítico.

Observa-se, segundo os referidos autores a crença de que pela manhã seja atribuída a Ogun, e pela tarde pertence a Exu sendo ainda utilizada na vestimenta de Ossain estabelecendo-se desse modo o nexo entre essa planta e o conjunto das narrativa míticas ao que se somam as observações adquiridas por outras comparações com vegetais de origem africana, similares as que faziam os antigos herboristas, somadas às experiências de uso secular.

Para a produção de mudas, colher os frutos diretamente da árvore quando maduros e já podem ser utilizados como sementes. Colocar para germinação logo após a colheita, em canteiros a pleno sol com substrato argiloso. A emergência ocorre em 10 a 15 dias e a taxa de germinação é superior a 50%. Transplantar as mudas quando atingirem 5 a 6 centímetros e depois de 3 a 4 meses plantar para o local definitivo. O desenvolvimento das plantas no campo é bastante rápido.

Abelhas observadas nessa espécie de planta coletando pólen e néctar:

• Abelha européia ou africanizada (Apis mellifera)
• Jataí (Tetragonisca angustula)
• Iraí (Nannotrigona testaceicornis)
• Jataí-da-terra (Paratrigona subnuda)
• Mirim (Plebeya remota)
• Mirim-preguiça (Friesella schrottkyi)

Bibliografia: Wikipedia, Árvores Brasileiras Vol. 01 (Harri Lorenzi)
Fotos: Rafael Sanchez

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