O espetacular pau-pombo (Tapirira guianensis) na criação de abelhas nativas

Nome Científico: Tapirira guianensis

Família: Angiospermae – Anacardiaceae

Características

Árvore de porte médio nativa da mata atlântica, possui em torno de 8 a 14 metros de altura. Geralmente possui tronco curto, com 40 a 60 centímetros de diâmetro. Suas folhas são compostas, com 4 a 12 centímetros de comprimento. Já as flores, amareladas, são pouco vistosas. Seus frutos se parecem a uma uva e tem este tom antes de dispersar as sementes.

Também é chamada de jobo, tapiriri, copiúva, guapiruba, cedrói, aroeirana, fruta-de-pombo, tatapiririca (Pará), cupiúva (Pernambuco), pau-pombo, cedroí (Amazônia), peito-de-pombo (Sul), camboatá e bom-nome (Alagoas), e cedro-novo, ela possui madeira fácil de trabalhar (por ser leve e macia ao corte).

Ocorrência

Nativa da mata atlântica, ocorre em todo o território brasileiro, principalmente em terrenos úmidos, mas em quase todas as formações vegetais.

Indicações

É indicada para recuperação de áreas degradadas pelo seu rápido crescimento e abundante produção de frutos, servindo de alimento para diversas espécies de pássaros. Na região amazônica é utilizada na produção de carvão e lenha, servindo também como espécie aromática, madeireira, ornamental e melífera, atraindo muitas abelhas nativas.

Sua madeira é empregada na confecção de brinquedos, embalagens, entalhes e caixotaria leve, entre outros usos. Mas nenhum deles é mais importante que a sua utilização no controle da erosão marginal em rios. Outro papel é o reflorestamento de áreas heterogêneas com fins preservacionistas, sobretudo em locais úmidos.

Possui alta taxa de germinação, que ocorre entre 15 e 30 dias.

Melífera: oferta pólen e néctar em abundância às abelhas

tapirira_guianensis_flores

 

Tapirira guianensis é uma espécie predominantemente melitófila, ofertando pólen e néctar em abundância e em boa concentração de açúcares às abelhas, contudo, uma diversidade de insetos generalistas (principalmente dípteros e vespas) também foram observados em suas flores. Apresenta floração anual, com sincronismo populacional e duração aproximada de sete meses.

Apresenta flores masculinas e femininas em indivíduos separados (dióica). As flores são pequenas, com cheiro ácido-adocicado (glândulas presentes nas pétalas), de cor amarelo-esverdeado, possuem dez estames, ambos tipos florais apresentam rudimento do sexo oposto, ambas abrem por volta das 4:00h.

O estigma permanece receptivo por sete dias. A abertura da antera inicia por volta das 7:00h e se encontram completamente abertas por volta das 9:00h.

As flores femininas e masculinas apresentam 4,67mm e 3,39mm de comprimento, respectivamente e com 2,24mm e 2,05mm de diâmetro, respectivamente (Mann-Whitney, U = 19,5; p < 0,05).

As concentrações médias de açúcares nas flores masculinas e femininas foram de 36,05% e 13,75%, respectivamente, e volumes médios 1,07μl e 1,68μl, respectivamente.

A floração ocorre de maio a janeiro. A frutificação ocorre de setembro a fevereiro. A maturação dos frutos e a dispersão das sementes ocorre de dezembro a fevereiro.

Os visitantes florais iniciam seu pastejo a partir das 6:00h e diminui a partir de 12:00h. Dentre os visitantes florais destacam-se as abelhas da família Apidae:

- Abelha-africanizada (Apis mellifera)
– Tiúba (Melipona compressipes fasciculata)
– Uruçu-amarela (Melipona rufiventris flavolineata)
– Uruçu-da-bunda-preta (Melipona melanoventer)
– Uruçu-boca-de-renda (Melipona seminigra)
– Mirim (Plebeia alvarengai)
– Abelha-cachorro (Trigona fulviventris)
– Trigona williana
– Trigona sp.
– Partamona sp.
– Borá (Tetragona clavipes)
– Exomalopsis aureopilosa

Oferta pólen e néctar em abundância aos seus visitantes florais. As flores masculinas atraem mais insetos devido a oferta de pólen e néctar, este último mais concentrado do que nas flores femininas. As flores masculinas também apresentaram aroma mais intenso em suas flores. Apesar de menos concentrado, o néctar das flores femininas constituiu-se em um forte atrativo aos visitantes.

Frutos

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Os frutos possuem (0,8-1,0 cm) de casca arroxeada-escura quase negra, facilmente rompível e encerrando polpa translúcida branca, de sabor muito doce e agradável. Muito procurada pela fauna local, atraindo diversas espécies de aves.

Medicinal
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Suas folhas são venenosas mas empregadas na medicina popular como vesicante causa bolhas e necroses na pele (TAVARES, 1959). A casca e as folhas são usadas em decocção, para dermatoses doenças da pele causadas por produtos químicos e em infusão, para sífilis. Tem efeito depurativo.
Recomenda-se precaução para o uso da planta para fins medicinais, devido as suas propriedades tóxicas (CORREIA,1926).

Conclusão
Pau-pombo (Tapirira Guianensis) é uma espécie arbórea importante para uso madeireiro, medicinal, na meliponicultura e apicultura como pasto apícola e para ser empregada na recuperação de áreas, cujos ecossistemas estejam degradados.

 

Fonte:

- Morfologia de flores, frutos e sementes de pau-pombo (Tapirira guianensis
Aublet. – Anacardiaceae) na região de São Cristóvão, SE, Brasil.

- Biologia, visitantes florais e potencial melífero de Tapirira guianensis (Anacardiaceae) na Amazônia Oriental.

- LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil.

- Congressos, Seminários e Encontros Brasileiros de Apicultura. Anais. 4. Ed. 2006.

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